quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

#TagsPT: Paixão por azulejos

Um retrato da tradição portuguesa, espalhado pelas paredes
Seja com nomes de famílias portuguesas ou com mensagens reflexivas e cheias de bom humor, os azulejos são a maior "rede social" de Portugal. Eles estão nos bares, te dizendo para curar uma ressaca com mais álcool, ou até nos museus, mostrando a história de vilarejos que se desenvolveram com base neste artesanato. Carregando enorme valor cultural, os azulejos estão em todos os lugares e são, para mim, um dos maiores charmes desse país encantador. Eles falam, e quem é bom de ouvido não pode deixar de escutar o que eles têm a dizer.
Estive pensando nos últimos dias: no que penso quando falo em Portugal? Quais são seus símbolos, suas marcas mais tradicionais e seus "rótulos" mais fieis? Isso varia de pessoa pra pessoa, mas para mim, uma possível tradução das cidades portuguesas que conheci está refletida nos azulejos.

Uma exposição interessante no Museu da Cidade, em Aveiro, mostra o desenvolvimento da arte dos azulejos e da evolução de produção. Eles retratam a realidade de comunidades de diferentes regiões portuguesas, contam histórias pessoais e traduzem diferentes conceitos de beleza. 

Ilustração à produção de azulejos em Aveiro
Produção artesanal de azulejos no Museu da Cidade, em Aveiro
Os temas dos azulejos podem variar entre relatos de episódios históricos, cenas mitológicas, cenas religiosas, entre outros. Estes elementos são aplicados às paredes, pavimentos e tetos de castelos, jardins, edifícios religiosos, de habitação e públicos. Nas igrejas, principalmente, podemos encontrar os azulejos como revestimento padrão de todas as superfícies, até nas abóbodas. Em Lisboa, esses deixaram de ser apenas peças de revestimento das construções para comporem verdadeiras obras de arte, que promovem uma enorme intervenção poética na cidade, vista a todo lado. 

A evolução das técnicas de produção dos azulejos renovou as paisagens urbanas, dando novas cores e dinâmicas arquiteturais às cidades. O azulejo se constitui por duas faces: a primeira é impermeável, vidrada e decorada, a tal parte "nobre"; a posterior, bem porosa, permite a aderência na aplicação. Com produção mais rápida e massificada após a Revolução Industrial, os azulejos se popularizaram ainda mais e passaram a se tornar acessórios na decoração. Alguns adquiriram novos formatos, fugindo dos tradicionais quadrados para adquirir formas mais ousadas.

Azulejo em relevo e texturizado
Técnicas de relevo e textura em azulejos,
também no Museu da Cidade, em Aveiro
Inclusive encontrei uns azulejos Vianas por aí, como mencionei na questão de nomes de família. O interessante em ter um pé português é chegar nessas lojinhas e ouvir comentários do tipo "sua família está por aqui". Acho que outro motivo para ter me apegado aos azulejos foi essa relação "familiar" que eles constroem com os portugueses, servindo como demonstrações de sua realidade. São tão acolhedores que fizeram com quem me sentisse mais em casa! Com certeza os azulejos são um dos ícones de Portugal em maior destaque, pelo menos para mim. 

Vou falar mais sobre meus passeios em Aveiro, mas já deixo avisado que esse lugar foi um dos meus passeios favoritos em Portugal! Vale muito a pena conhecer, visitando cada museu, sem pressa. O Museu da Cidade, que ficou destacado nesta postagem, foi com certeza uma parada valiosa para entender melhor a cultura de Aveiro e de toda Portugal. 

No próximo texto, vou falar de um segundo símbolo que tenho associado com o país, principalmente nas viagens à Porto e ao Alentejo. Fica a dica: é doce e cheio de bom gosto!! Quem adivinha? Abraço e até a próxima estação! 😎

Fonte(s): Museu da Cidade de Aveiro; Portugal Glorioso. 
Foto(s): Pixabay; acervo pessoal. 

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